23 setembro, 2008

desafinado

ultimamente estou me sentindo como uma esponja. absorvo tantas coisas. porém essas coisas não são boas. os gritos ficaram gravados na minha mente, as palavras, os rostos... aquele choro interminável, as inúmeras lágrimas que enxuguei.
não posso absorver tudo isso, preciso tanto ficar bem comigo mesma. e consequentemente com as pessoas. não estou querendo fugir, estou fazendo o que posso. eu acho.
às vezes penso que tampar os ouvidos é melhor. fechar meus olhos, pensar só em mim. isso, só pensar em mim. é ser egoísta? estou numa fase em que preciso focar meus objetivos, meu foco talvez não seja socorrer todo mundo, ouvir todo mundo, dar meu ombro por aí.
ninguém quer escutar o que penso, meu conflito interno, minhas tantas dúvidas e inseguranças. queria tanto saber toda verdade, entender tudo o que acontece em volta. mas acho que quanto mais verdade, mais deprimente a vida fica. não quero pensar que a vida é assim.
estou me sentindo tão estranha, os fatos ruins tem superado os bons, nunca fui assim. sempre fui tão otimista e confiante. não estou querendo fugir, não sou covarde, só preciso reavaliar meus princípios, até eles se perderam. hoje faço coisas das quais nunca gostei e era contra, portanto acredito que seja fase, meu momento de abrir a mente, de experimentar novas histórias, novos personagens, novos vícios. só preciso sair dessa rotina dos mesmos amigos e da mesma maneira de levar a vida. me senti madura ao olhar pra trás outro dia e percebi que havia muita coisa diferente. eu cansei de ficar na areia esperando a onda chegar, entende?
preciso ser parada numa tarde de 6ª feira na av paulista e ser interrogada 'você é feliz?', e não hesitar 'sou muito feliz!' - mesmo sendo estudante, mesmo não tendo dinheiro pra tudo que quero fazer/ter, mesmo sendo brasileira e vivendo nesse país de merda, mesmo sendo (ou tentando ser) uma artista sem apoio dos próprios pais, e tantas inúmeras coisas negativas, eu sou feliz!
preciso rir à toa com os caiderantes que pedem esmola nos faróis, preciso tirar foto do pôr-do-sol entre os prédios, ou de qualquer momento digno de ser registrado. preciso passar em frente à Fnac e descobrir que está tendo um pockt show de uma banda legal. preciso ter espasmos e companhia para realizá-los. preciso de espelhos no teto para me encontrar, de um banho frio num dia frio, de cobertas estranhas pra perceber que gosto das minhas. preciso reviver bons momentos, encontrar velhos amigos e vê-los mudados também. rir de um passado tão perto mas que parece ter vivido há décadas. preciso acordar num domingo bem cinza e ser convidada pra um cinema. os desafinados. chorar com eles, chorar com as músicas, amores, paixões. perceber que todos amam e se apaixonam desesperadamente, instantaneamente. não sou a única egoísta. posso amar e me apaixonar ao mesmo tempo. porém posso enlouquecer por isso.
'Que no peito dos desafinados
No fundo do peito
Bate calado,
Que no peito dos desafinados
Também bate um coração.'

eu preciso apenas viver esse tão-meu momento (desafinado)

15 setembro, 2008

saborosa sensação

eu senti aquela mão me puxando para o palco. e num instante me vi lá em cima, à frente de todas aquelas sombras, de sorrisos, da euforia, daquela fumaça que invadia nossos pulmões, consegui ver aqueles desenhos todos nas paredes, escutei todos gritos nitidamente, pés descalços, soltos, livres, areia branca, movimentos, cada acorde, a cada 'pápapá', fechei meus olhos e me imaginei no meu quarto, como se ninguém estivesse me vendo. saborosa sensação! saborosíssissima sensação. vi flashs, vi sorrisos suados e emocionados, não tinha melhor companhia pra dançar ao meu lado, não teve momento melhor do que esse.
'Agora eu sei o que quero enxergar, esse colorido não devia mais me enganar, porque a cor deforma quando a luz vem a brilhar, e assim seu olho, começo a decifrar'

'e aí dançarina?' escutei na fila do caixa, no banheiro, aleatoriamente, felizmente.
mais de mil sorrisos, mais de mil sensações numa noite.
e aquela garoa bem fria escurecia ainda mais são paulo numa madrugada tão quente para mim.
e ao sentar naquele chão gelado pude me esquentar de carinho, de mil beijos sardinhas, de alguém que não me viu dançar, mas que pensou em mim durante as 3 horas de show. eu sei que pensou.
'Seu sorriso é um paraíso, e no ar voou em transe ao sol para me livrar de tanto mar. Resolvi espairecer, aparecer sem avisar pra não ser sempre na mesma rotina de ilusões'
te absorvo, me apaixono, me faz rir de qualquer coisa, me esquente do frio, te conto meu segredo. (que segredo?)

'Deixe-se acreditar, nada vai te acontecer, tudo pode ser nada vai acontecer, não tema esse é o reino da alegria!'
esse é meu reino da alegria.

http://www.flickr.com/photos/gianlucca90/2856483575/

12 setembro, 2008

who's gonna save my soul ?

'Who's ganna sang my song now
Who's ganna sang my song now
I wonder If i will live grow old now
Getting high
Cause i feel so lone now
I may be just a little selfish
All i have is the memory
Yet i never start to wonder
Is it possible
You hurt worse than me
Still my heart turns to greedcause what about what i need
An aahh
Who's gon save my soul now
Who's gon save my soul now
Oo i know
I'm out of control now
Tired enough
To lay my own soul down'

(Gnarls Barkley)
http://www.youtube.com/watch?v=kTVSygNKAsg

08 setembro, 2008

tão não-eu .

aquela voz desconhecida. essa voz não pertence a você.
chora e chora, me liga, me preocupa, me desorienta. me destrói.
eu queria que num abraço forte tudo de ruim fosse embora.
não sei lidar com isso, parece ser mais que amizade, é tanto peso.
me promete que desligará o telefone e irá dormir, não pra sempre, só um pouco. descanse.
um te amo vale alguma coisa nesse momento?
se valer, eu digo infinitamente, quantas vezes você quiser ouvir.
meus domingos interrompidos, meus risos cortados, meu semblante mudado.
não acredito mais em você. tanto medo.
não entendo nada disso, tudo é uma merda. menos você, você não é uma merda.
você tem vida, porra. não basta?
as coisas mais simples que existem são as que mais me fazem sentir viva, nao fazem o mesmo contigo?
olha pro céu, olhe pro alto, é de lá que vem seu socorro!
confia em mim, no meu amor, na minha amizade, no meu silêncio, nas palavras que tanto decorei e pensei mas não saem da minha boca, elas falham. elas se esgotaram. todas!
você disse que meu silêncio bastava, ele bastou?
parece que você quer mais, o que posso te dar? eu não sei, não sei.
preciso tanto saber. preciso tanto aprender a lidar contigo. seja a mesma pessoa sempre.
chega de altos e baixos, chega de gritos e fantasias, quero a verdade, só a verdade importa.
pra que viver de aparências? tire todas as máscaras, não é mais carnaval. nunca foi carnaval, não pra mim.
você me faz perder a cabeça, me sinto tão não-eu.
preciso aprender a lidar com isso, tá me matando (também).

04 setembro, 2008

traz um alívio

o sol refletia suas inúmeras cores naquele lago, tão calmo, tão lindo. era fim de tarde, via-se o pôr-do-sol, alguns patos e pássaros brincando, pessoas andando, pessoas se amando, outras estáticas. não parecia são paulo, não escutava buzinas nem barulho de carros descontrolados. senti tanta coisa ali sentada naquela grama molhada. naquele tronco tão desenhado, debaixo daquela árvore tão cheia de vida. falávamos de coisas vividas, de fatos, de amizade. eu precisava dela, daquela conversa, de verdades, de um mc chicken que só estraga meu estômago. mas pelo momento tudo vale, tudo.
eu quase desisti de tentar, foram inúmeras ligações, inúmeras frases decoradas e não ditas. mas no último momento deu certo, algumas boas cervejas renderam em ótimas risadas e sotaques. dreads, espasmos, carinho. não durou mais de duas horas, mas foi muito mais válido que isso. mais um ônibus se passa e eu fico a esperar, mas não por vontade de esperar, e sim por ter com quem estar. eu queria tanto um lugar pra fugir, pra escrever e não ter ninguém pra falar que isso é besteira, que é um diário. são verdades, são momentos, não importa o resto. eu posso sentir tudo isso.

'debruçada no cansaço na correria do dia
eu tava atrás do desapego até voce chegar
não quero mais desespero, me traz um alívio
me traz um alívio na voz'.

queria andar toda madrugada no meio da rua, não tem sensação melhor que essa. sentir aquela brisa gelada, escutar um silêncio ensurdecedor, somente alguns latidos no fundo das casas, ver as luzes se apagando pelas janelas, a lua tão mais bela que o normal, somente ela acesa, parece até que tem luz própria. sair sem rumo escutando arizona. me traz um alívio. de novo tudo vira vício.

03 setembro, 2008

.

sou tão egoísta.
odeio o egoísmo, mas não sei ser outra coisa agora.
tarde demais.

obrigada pela preferência de ler meu diário semanal :)

01 setembro, 2008

guardar a lista

pés descalços sambavam no tapete no centro da sala. rolava um samba, um rock, uma macarena. eram flashs e conversas paralelas. podia ficar uma noite inteira de barriga pra cima olhando qualquer movimento. via são paulo e sentia o frio do sétimo andar. não precisei de nada para brisar naquele lugar, naquilo.
é tudo tão novo, tão preciso. eu posso precisar disso, não posso?
eu preciso e ponto!
preciso até daquela garoa mais chata, andando à procura de qualquer prédio em qualquer esquina, e entre rostos estranhos, sempre tem os conhecidos. mas os estranhos tornam-se queridos rápido demais. tudo é rápido demais. não é?
os sorrisos só aumentam a cada dia, os baús estão bem cheios.

eu tinha todos assuntos possíveis para escrever, mas preferi não misturar.
eu só quero saber de coisas boas, de momentos raros. felizes!
algumas coisas não valem a pena, talvez, de serem mencionadas.

agora preciso guardar uma lista um tanto estranha, mas uma lista de coisas ótimas.
é, é melhor guardá-la.

28 agosto, 2008

cadê marte ?

eu não consegui ver Marte hoje. saí pela rua à procura de algo no céu, só não sabia exatamente o quê. tá fazendo um friozinho nas noites paulistas. são noites tão aconchegantes.
não tinha lua, nem marte, só estrelas, até que bastante para uma noite nublada. e tinha muitas nuvens também. amanhã talvez saia algo no jornal sobre tudo isso, veremos!

mas antes de procurar lua e planeta, ganhei duas luas.
foi durante a tarde, assim, repentinamente. e sim, foram duas.
uma grande e cheia, outra crescente, pequena e especial.

até que hoje daria para guardar muitos sorrisos,
alguém quer colecioná-los?
encheria uma caixa, eu acho.

é, encheria um baú, quem sabe.

25 agosto, 2008

uma lista

preciso escrever para me calar. tentar colocar as coisas em algum lugar.
preciso perder uns 5 kg, preciso comer só maçã, preciso prestar enem semana que vem e estar preparada, preciso estudar muito mais do que estudo, preciso ver a peça do wagner moura, preciso baixar novas músicas e escutar os meus primeiros cd's gravados, preciso de uma calça jeans nova e preciso receber dinheiro de muita gente que me deve. preciso sair desse computador, mas ao mesmo tempo é tão necessário pesquisar nele. preciso parar de tomar refrigerante e fazer uma endoscopia urgente, meu estômago tá me matando. preciso fazer as unhas do meu pé, preciso cortar meu cabelo que tá gigante e sem corte.
preciso escutar aquele sotaque de novo, mas preciso ver aquela calça de sarja que tanto sinto falta, preciso daquele abraço apertado diariamente.
tava precisando que alguém cantasse pra mim, mas não qualquer música nem qualquer pessoa.
precisava comprar canson e tintas novas, mais coloridas, preciso terminar tanta coisa que comecei. preciso das minhas fotos na parede.
preciso ver nome próprio de novo pra digerir melhor, preciso ler a máquina de pinball, preciso terminar tantos livros, preciso assistir mais gnt, preciso dar satisfação a velhas amigas, preciso ver mais algumas pessoas realmente interessantes. preciso de uma tequila, de fotos novas, de bares novos.
preciso de crédito no celular, preciso planejar minha viagem de final de ano. preciso de outro curso de desenho, de mais história da arte.
preciso procurar novos amores, chega dos velhos, chega de dores antigas, das mesmas histórias. elas se repetem, porém posso ter histórias diferentes de todas que já tive também.
preciso de dinheiro pro show da madonna (hahaah), preciso ser figurante de novo, até que é legal!
preciso da minha parceria, tô com tanta saudade dela, dos dias simples tão significativos.
preciso ver mais exposições, perdi algumas tão boas esse ano.
preciso me organizar mais, pensar mais.
preciso ver porque tô tremendo tanto ultimamente, não tenho vício nenhum, o que poderia ser?
acho que é a falta de algum, então.

eu tô bem,
só preciso de tudo isso.

18 agosto, 2008

um bucado de mim

a confusão insiste mesmo em mentes ocupadas.
é chegar em casa e não ter aquela paz tanto almejada.
são coisas que misturam-se, ficam distorcidas, feias, doloridas. depois tornam-se tão distantes, quase perdidas (será que existe em pensamento ainda ?), e como um ciclo, tende a ficar perto, às vezes 'perto demais'.
é real? isso não está claro, o presente e o passado parecem um só, ou seria um mundo pararelo no qual imaginei tudo?
parecia tão real, senti tão intensamente, toquei, respirei o mesmo ar, apertei aquelas mãos frias, escutei aquelas músicas que definem alguém, várias e várias vezes. misturei as cores e elas insistiam em formar sua imagem.
talvez eu não tenha mais aquela certeza, algumas coisas mudaram (bastante).

entretanto, aprendi que as pessoas se encontram e se perdem, é algo tão natural como beber água e ir almoçar. o amor disacelera e acelera incansavelmente, repentinamente, aí que nos encontramos por algumas muitas vezes. e faz disso tão estranho, tão bizarro.
porém, são das coisas bizarramente estranhas que realmente nos apaixonamos e almejamos.
isso eu não quero e nem pretendo entender, só preciso viver.
preciso tanto viver.

'Mas vai e antes de ir embora leva
Leva bucado de mim'
(3 na massa)